Governo do Distrito Federal
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9/11/17 às 16h31 - Atualizado em 23/11/17 às 12h34

Em meio à crise, indústria do DF mostra força até para exportar

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Empresas crescem em vendas, faturamento e instalações

 

Foto:  Cleverlan Costa

O secretário Valdir Oliveira (SEDICT) visitou indústrias de ramos diferentes para ver de perto como está se comportando este segmento do setor produtivo no Distrito Federal. O objetivo, de acordo com o secretário, “é mostrar uma Brasília que Brasília não conhece, uma Brasília que gera empregos e renda. Nós temos riquezas produzidas no Distrito Federal, na agropecuária, no comércio, na indústria. Brasília, por ser capital da República, tem uma pauta sempre política, mas tem uma pauta econômica que a gente precisa mostrar”, alerta Valdir Oliveira.

 

O que viu até agora deixou entusiasmado – e muito – o secretário. Em uma semana de visitas, entre os dias 1º e 8 de novembro, ele esteve em três indústrias. As três estão produzindo a pleno vapor e não apenas fecharão 2017 com crescimento expressivo, mas projetam crescimento significativo para o próximo ano.

 

Foto: Cleverlan Costa

A empresa FVO, que produz por mês dez mil toneladas de ração para cães e gatos e que foi a primeira a ser
visitada pelo secretário, pretende esticar essa produção para 12 mil toneladas/mês em 2018. Fundada há 50 anos, ela entrará com pedido de financiamento ao IDEAS para ampliar as instalações que ficam no Núcleo Rural Tabatinga, em Planaltina. Pelos cálculos da empresa, a ampliação custará R$ 20 milhões e além de aumentar a produção, irá gerar mais 40 empregos. Hoje a FVO emprega 530 funcionários, metade deles moradores da região.

 

Divulgar o IDEAS entre os empresários é outro objetivo das visitas do secretário. O programa de concessão de crédito, reativado depois que Valdir Oliveira assumiu o comando da SEDICT, é voltado para a Indústria e oferece excelentes condições de pagamento. O empreendedor que tiver aprovada a concessão de crédito terá 30 anos para pagar, utilizando títulos do BRB. “O Governo de Brasília mudou a sua postura e está trazendo para esses empreendedores as oportunidades de crescimento. Nosso modelo de crescimento tem como eixo a regularização e a segurança jurídica, benefícios fiscais e o pilar principal, que é o crédito de fomento” explica o secretário. Ele acrescenta que já foram aprovados R$ 3,2 bi em crédito para a indústria e o atacado por intermédio do IDEAS e de outros programas.

 

O IDEAS deverá ser utilizado também pelo empresário Jurandir Pizani Ribeiro, um dos proprietários da Panebrás. Instalada no Gama, a empresa está no Distrito Federal há sete anos, vende para supermercados e padarias daqui e de Goiás e já exporta para os Estados Unidos pão de queijo e pão francês congelados. Inclusive o pão francês feito na fábrica de 1,5 mil m² é o primeiro do gênero a entrar no exigente mercado norte-americano. O crédito do IDEAS, segundo o empresário, vai ajudar a empresa a cobrir os custos da reforma de um galpão de 3 mil m² e permitir que a produção seja ampliada de 680 toneladas por mês para 1,8 mil toneladas por mês. “Eu vejo o incentivo do IDEAS como um fôlego de capital com o qual eu vou fazer investimentos. Com isso, vamos ampliar e triplicar a nossa produção. No final do ano, quando eu apurar esse incentivo do Governo, vou ver que ele me dará um resultado melhor que meu lucro operacional. Com isso, o governo me dá a oportunidade de gerar mais emprego, torna a nossa empresa mais competitiva a ponto de irmos para o mercado exterior”, acredita Jurandir, lembrando que pensou seriamente em sair do DF por causa da falta de incentivos. Voltou atrás quando o governador Rodrigo Rollemberg regulamentou a Lei aprovada pelo Congresso Nacional que estabelece igualdade entre as unidades da Federação na concessão de benefícios fiscais. Agora, com a ampliação, a Panebrás gerará mais 150 empregos, além dos 158 atuais.

 

Foto: Cleverlan Costa

Do pão de queijo para os produtos de beleza, o crescimento é maior ainda. A Botânica é a maior entre as sete fabricantes de cosméticos que existem no DF e pela porta da empresa, às margens da BR 020, em Sobradinho, o que não passou em 2017 foi a tão propalada crise brasileira. O crescimento da empresa este ano deve ser de simplesmente 150%, mesmo percentual projetado para o ano que vem, o que faria com que o faturamento saltasse dos atuais R$ 400 mil por mês para quase R$ 2 milhões mensais.

 

É certo que a Botânica se aproveita da vitalidade do chamado mercado da beleza. “O mercado da beleza é dinâmico, o tempo todo tem novidade. A vaidade hoje é uma questão de bem-estar, de saúde, as pessoas se cuidam mais e isso movimenta o mercado cada vez mais.  Hoje há produtos que cabem em todos os bolsos. A gente sentiu a crise, mas nem tanto”, explica Érika Lobo, diretora financeira do Sindicato dos Empresários do Setor.

 

O fôlego das vendas de xampus, cremes e demais produtos de beleza tem uma razão para ter sentido menos a crise. A decisão do governo, chamada retirada da substituição tributária, adotada a partir de agosto sobre o ICMS de 14 produtos de beleza comprados fora do DF, permitiu a queda de preços desses produtos. Tudo porque a nova regra permite que o comprador só pague a diferença de ICMS entre outros estados e o DF quando ele vender o produto. Além disso, esse pagamento será feito com base no faturamento da empresa. “Foi vital para dar mais competitividade à empresa”, conta Carlos Moraes, proprietário da Botânica. Ele também já planejava sair de Brasília, mudar para onde houvesse mais incentivo, mas voltou atrás após o Governo anunciar a medida. “O mercado em Brasília oferece oportunidades, mas estávamos precisando do apoio do governo. Hoje um distribuidor não trabalha com margem acima de 45%. Antes havia margem de 69% e era melhor para supermercados comprarem de fora de Brasília”, lembra. “É um momento de virada no DF. Mesmo em momentos de crise, essas empresas estão aproveitando as oportunidades no DF e estão crescendo. Momento de uma nova economia e de um novo modelo de desenvolvimento”, garante Valdir Oliveira.